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SABARÁ

Vista aérea da cidade de Sabará.
Área:
205 Km2
Temperatura média anual: 22 C
Distância da Capital: 19 Km
Rodovias que servem ao Município: BR 262 e MG 437
População: Urbana
74.757 hab.
Rural 14.983 hab.
Atividades econômicas: agricultura, pecuária e indústria
de confecção e siderurgia.
PATRIMÔNIO
Capela
de Nossa Senhora do Rosário
Capela de Santa Ifigênia
Capela de Santo Antônio
Casa – antigo Solar do Padre Correa
Museu do Ouro
Casa Azul
Igreja de Nossa Senhora da Assunção
Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo
Igreja de Nossa Senhora do Ó
Igreja de Nossa Senhora do Pilar
Igreja de Nossa Senhora dos Pretos da Barra
Igreja de Sant´Ana
Igreja de São Francisco de Assis
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Centro Histórico
BREVE
HISTÓRIA
A
formação do arraial de Sabará se deu muito provavelmente no último
quartel do século XVII. Sabará-buçu, como era sua designação genérica,
era o termo que se empregava para mencionar um lugar de limites
incertos e que se ansiava por chegar. Seria o lugar um Eldorado dito
pelas narrativas dos
aventureiros que aliavam
fantasia e realidade, tornando fluidas as fronteiras entre real e
imaginário.
Desta
forma, quando ocorreu a notícia da existência do ouro nas areias do
rio das Velhas as conseqüências foram formidáveis. Desencadeou-se
para os sertões das Gerais uma torrente imigratória que tem poucos
paralelos na história da humanidade, segundo a escritora Mafalda
Zemella. As cidades vicentinas tornaram-se fantasmas, de janelas e
portas fechadas, ruas desertas. Seus habitantes foram os primeiros a
partirem para os sertões em busca de riquezas. Milhares de pessoas
abandonaram a região da cana-de-açúcar e dos engenhos, assim como
as cidades litorâneas viram-se ameaçadas de abandono pelos moradores
que emigraram para as Gerais. Visto como uma benção dos céus, a
princípio, o povoamento da região mineradora era incentivado pelo
governo luso, que viam na produção do ouro o aumento de receita.
Logo a imigração tornou-se um problema. Da outra margem do Atlântico
vieram milhares de portugueses quando se soube dos imensos tesouros
das serras mineiras. Segundo
o relato de cartas régias, “não havia gente para as fileiras do exército,
faltavam tripulantes para as embarcações, faltavam braços para as
construções e até clérigos para as celebrações do espírito”.
De acordo com as pesquisas de Mafalda Zemella,
calcula-se em cerca de 800 000 o número de réinois que vieram
para o Brasil, em menos de um século, em razão do ouro. Este total
é impressionante quando comparado à população diminutíssima do
reino português que possuía, no início do século XVIII, cerca de 2
milhões de habitantes.
A
ocupação
das terras não se fez, porém, de modo pacífico, registrando a história
vários choques de interesses entre os grupos que disputavam a posse e
exploração das riquezas como a guerra dos Emboabas, um dos mais sérios
conflitos ocorridos na área, no ano de 1707. A disputa pelo controle
do comércio e do poder na região desencadeou luta aberta entre os
paulistas e os baianos e portugueses, estes obedecendo à liderança
de Manuel Nunes Viana, aclamado governador das Minas. Como os
paulistas firmassem resistência em Sabará, veio, em conseqüência,
o arraial a ser atacado e incendiado. A pacificação do território só
se efetivaria com a vinda a Minas, em 1709, do governador Antônio de
Albuquerque, com a missão de dar organização administrativa e legal
mais definida à Capitania com a criação das primeiras vilas.
Desta
forma, em 1711, o arraial de Sabará foi elevado à categoria de Vila
de Nossa Senhora da Conceição de Sabará.
A
excelente situação geográfica da vila, localizada às margens do
rio das Velhas e à entrada dos caminhos que alcançavam as fazendas
de gado do sertão nordestino, favoreceu a transformação de Sabará
em importante empório comercial da Capitania. Em 1714 era sede da
comarca do rio das Velhas, com vasta jurisdição, e cuja influência
administrativa e fiscal se estendia de início a quase um terço do
território mineiro, compreendendo dentro de seus limites dezenas de
prósperos arraiais.
A
enorme produção aurífera no âmbito de toda a comarca trouxe
consigo a criação de uma “Casa de Intendência” ou de “Fundição”,
no prédio do atual Museu do Ouro, para verificação e cobrança do
“quinto”, tributo em virtude do qual, de todo o ouro extraído e
encaminhado à fundição, uma quinta parte estaria reservada ao rei.
Da
fase de opulência da mineração, são documentos e testemunho os
monumentos de arte da antiga Vila Real, suas igrejas e capelas
barrocas e construções nobres. A mineração aurífera alcança os
primórdios do século XIX, o que prolongou a hegemonia regional da
cidade, figurando entre os municípios de maior expressão demográfica
e econômica, com destacada atuação também no quadro político e
cultural de toda a província. O viajante e naturalista francês
Saint-Hilaire, por ocasião de sua visita em 1818, relata que “...não
é raro encontrar-se em Sabará homens que receberam instrução e que
sabem o latim. O povo da cidade de Sabará é tão
civilizado e amante da instrução, que custa a encontrar-se um
sabarense que não saiba ler, escrever, contar, música e ofício”.
A comprovar estas observações é de se notar a presença singular,
numa vila do seu porte, do teatro como atividade artística
quase permanente. Desde os mais remotos anos da exploração do ouro,
grupos de comediante/ciganos, burlando as prescrições do Santo Ofício
que contra eles pesavam, se apresentavam em Sabará. Até a entrega ao
público da Casa da Ópera, em 1819, as encenações teatrais ocorriam
em tablados armados em praça pública, geralmente o largo da igreja
matriz.
A
exaustão da mineração do ouro levou a população de Sabará a
procurar, no curso do século XIX, outras alternativas para sua
subsistência econômica. A condição de empório natural do comércio
de tropas entre o centro da província e as regiões do sertão e do
norte-nordeste mineiro e a zona de Caeté e Santa Bárbara, de que a
antiga Vila Real já desfrutava desde o período colonial, por si só
não bastaria para absorver a força de trabalho remanescente da
atividade mineradora.
A
intensificação da lavoura nas áreas circunvizinhas, a criação de
pequenas indústrias rurais e urbanas, a indústria extrativa, mineral
e o aprimoramento da cidade como centro de serviços para a região em
torno, especialmente nos campos da educação e da saúde, foram
fatores que concorreram para a relativa estabilização da economia
local.
Ainda
antes da inauguração da vai férrea ligando Sabará a Ouro Preto e
ao Rio de Janeiro, ocorrida em 1891, um grupo de sabarenses
progressistas fundariam uma grande fábrica de tecidos na localidade de
Marzagão.
Nessa
mesma altura, reencetava-se, com participação estrangeira, a exploração
industrial do ouro nas minas de Pompéu, Descoberto, Cuiabá, e Capão.
Ao finalizar do século XIX, a construção da nova capital do Estado
– Belo Horizonte, em território desmembrado do município de Sabará,
viria representar, porém, um forte golpe para a vida da velha cidade,
notadamente quanto à sua tradicional
função de centro cultural e de serviços. Em 1921, a instalação
dos modernos alto-fornos da Cia. Siderúrgica Belgo Mineira, abriria
novos rumos para Sabará, convertendo-a em importante centro
industrial.
BIBLIOGRAFIA
PAULA,
João Antônio. O Prometeu no Sertão: Economia e Sociedade da
Capitania das Minas dos Matos Gerais.
São Paulo: Tese de Doutorado em História, USP, 1988
BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho.
Belo Horizonte: Itatiaia, 1976.
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