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A Irmandade de Nossa Srª do Rosário do Antônio Dias de Ouro Preto foi
constituída legalmente em cerca de 1718, na Matriz da
Conceição daquela paróquia, estabelecendo-se na Capela do Padre
Faria. Seus estatutos originais estragaram-se pelo tempo, motivo que a
levou solicitar ao bispo nova provisão de ereção em 1733.
Inicialmente, a Capela do Padre Faria congregava brancos e negros, que
se apartaram em razão de desentendimentos, motivo pelo qual estes
construíram a Capela do Rosário do Alto da Cruz, depois intitulada Santa
Efigênia. Portanto, trata-se de um templo edificado e ornamentado às custas
de devotos leigos, sem intervenção do clero regular e diocesano,
o que contribuiu para a e especificidade artística e iconográfica,
resultando em sincretismo religioso e intercâmbios culturais.
Fachada
principal: A partir de 1733, começam os lançamentos pertinentes
ao processo construtivo e arquitetônico que, no entanto, prolonga-se
até a década de 80, quando então é concluído o frontispício,
dotado de guarnições em pedra e um nicho que abriga a padroeira,
considerado um tanto retardatário pois, nesse momento, já estavam em
andamento as portadas em pedra sabão das capelas do Senhor Bom Jesus de
Matosinhos (Cabeças) e, pouco depois, de São Francisco de Assis, ambas em
Ouro Preto. Ao contrário do que consideraram o arquiteto e urbanista Lúcio
Costa e Germain Bazin, a fachada de Santa Efigênia (1780/85) não é
precursora daquelas de feição rococó, mas contemporânea. Embora de um
mesmo período, pontua claramente cheios e vazios, dentro de uma intenção
muito sóbria, indiferente às formas abertas do barroco e do
rococó.
Talha
e Ornamentação: O conjunto de retábulos existente em Santa Efigênia
é bastante harmonioso, todos enquadram-se perfeitamente dentro da
configuração da talha D. João V ou Joanina (cerca de 1730/60).
No Joanino, ocorreu expressiva influência do barroco italiano, através
da representação naturalista e da sensualidade das figuras angélicas. A
coluna torsa da talha nacional foi substituída progressivamente pela coluna
salomônica com terço estriado, inspirada no baldaquino feito por Gian
Lorenzo Bernini (1598 +1680) para a basílica de São Pedro.
Nesse
período o retábulo assumiu um aspecto mais teatral, com o uso de cortinas,
franjas, borlas etc. As características básicas do retábulo joanino são:
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coluna salomônica (ou berniniana), isto é, com a base estriada ou com
bulbos, alternando-se com quartelões (dois S invertidos).
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coroamento em concha, encimado por grupo escultórico que ladeia um escudo ou
tarja.
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coroamento em dossel, terminando em cortinas ou franjas.
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fragmento de frontões nas laterais.
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além do dossel, usam-se sanefas ou guarda-pó.
No
tocante à decoração, temos: anjos semi-desnudos (serafins e querubins);
volutas entrelaçadas, conchas, guirlandas de flores (rosas, margaridas,
girassóis, feixes de plumas, palmas...) e fingimento de mármore. Domínio
absoluto dos vegetais e dos coros angélicos, em prejuízo das representações
eucarísticas. Os altares de Santa Efigênia são levemente posteriores aos da
Capela do Padre Faria, dos altares laterais das matrizes de
N. Srª da Conceição do Antônio Dias e da Matriz do Pilar em Ouro
Preto.
O
célebre escultor e entalhador português Francisco Xavier de Brito (+1751)
atuou na capela-mor de Santa Efigênia, realizando acréscimos e esculturas de
anjos (1747/8) enquanto trabalhava simultaneamente no altar-mor da Matriz do
Pilar, de Ouro Preto(1746/51). Como característica de Xavier de Brito tem-se
as pencas de querubins; tarja e medalhões ladeados por anjos, grande
profundidade e movimentação das figuras, coroamento do altar e do
arco-cruzeiro com grupo escultórico, destacando-se a Santíssima Trindade.
O
português Felipe Vieira (atuante 1747/65), irmão da Ordem franciscana de
Vila Rica, falecido em 1778, realizou obra de talha para a capela-mor,
respectivo altar e bloco escultórico do forro (1756). Trabalhou em
parceria com Jerônimo Félix Teixeira (atuante 1753/69), recebendo
quantias significativas. Portanto, é difícil separar individualmente a
obra de cada um., que também fizeram trabalho em conjunto na capela-mor da
Matriz da Conceição da mesma paróquia.
Muito
raras são as pinturas sépias sobre madeira existentes nas paredes da
capela-mor, com cenas da vida cotidiana e galante, dentro do mesmo estilo
existente capela-mor do Capela do Padre Faria.
Na
nave e capela-mor tem-se pioneiras pinturas em perspectiva
barroca. De 1735 a cerca de 1760, desenvolveu-se na Capitania essa modalidade
artística, seguindo a moda italiana inaugurada pelo jesuíta Andrea Pozzo,
autor da obra Perspectivae Pictorum atque Architectorum (1693). Sobre forros
abobadados são representados em perspectiva vertical elementos arquitetônicos
como colunas, arcos, balcões. Através de cores escuras, todos os espaços são
preenchidos (marrom, tons ocres, azul e vermelho). Essa trama, bastante
compacta, circunda a visão celestial. São pinturas de autoria de
Manuel Rebelo e Souza (atuação 1752+1775), que ali trabalhou no ano de 1768.
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