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OURO
BRANCO

Decreto lei proteje este monumento natural: a Serra de Ouro Branco e a antiga Estrada Real, ameaçada de descaracterização.
Área:
219 Km2
Temperatura média anual: 17 C
Distância da Capital: 118 Km
Rodovias que servem ao Município: BR 040 e MG 130
População: Urbana
23.631 hab.
Rural 3.792 hab.
Atividades econômicas: indústria extrativa mineral, transformação
e beneficiamento de produtos agrícolas,manufatureira e têxtil
PATRIMÔNIO
Igreja
Matriz de Santo Antônio
BREVE
HISTÓRIA
Ouro
Branco é o resultado das andanças bandeirantes que ocuparam os sertões
mineiros em que o devassamento, o apresamento e a conquista eram pauta
do roteiro cotidiano dos aventureiros no final do século XVII. A caça
ao índio, tradição dos paulistas, lhes deu maior familiaridade com
o sertão, razão por que das terras vicentinas partiram a maioria das
expedições às minas lendárias em busca da geografia mítica
construída por outros sertanistas, que diziam da existência de
montanhas ofuscantes de cristais finíssimos e de uma lagoa dourada
pelo ouro que continha.
As
bandeiras eram comandadas por um chefe de estilo militar, poderes
feudais e de grandes posses, na maioria portugueses cristãos ou
descendentes. Seus atos tinham força de lei, agindo em geral fora da
legislação real. Viram-se às voltas
com a escravização do seu semelhante,
e nesta contradição
máxima, teve
grande peso o papel da
Igreja como
formuladora e
veículo de uma teologia justificativa.
Tendo à frente um pequeno exército de besteiros e
espingardeiros junto a quase uma centena de escravos índios e negros,
as bandeiras fundiam mitos,
tradições européias
seculares e
o universo
cultural dos ameríndios
e africanos.
A
região onde o ouro foi encontrado fazia parte de um vasto planalto,
cujo acidente mais importante era a serra do Espinhaço, flanco no
qual se situa Ouro Branco e onde integrantes da bandeira do lendário
Borba Gato batearam a procura das pedras preciosas. O arraial cresceu:
logo uma capela humilde ponteava a colina mais alta. Com o tempo surge
a matriz de Santo Antonio de Ouro Branco, em 1717. Antes disto, nos
primórdios, o ensaísta Fritz Teixeira de Sales narra a cena
do encontro ao tesouro sonhado: ninguém plantava, todos
mineravam. Um boi custava cem oitavas de ouro; um alqueire de farinha,
quarenta oitavas. Veio a fome terrível e brutal. Mataram ratos e cães
para comer.
O
ouro era todo de formações aluvionais espalhadas à margem dos rios
e sopés de serras. O metal que se situava abundante às margens dos
rios geralmente era acamado e revestido de terra, areia e cascalho. A
extração exigia o trabalho de desmonte: retirava-se a camada
superficial de terra vermelha; logo revolvia-se uma camada de cascalho
grosso, o seixo rolado, que servia para calçar as ruas. Retirava-se
por último a piçarra, que é barro amarelado com areia, às vezes de
cor esbranquiçada e, depois desta, o ouro.
Não
haviam grandes senhores de escravos; o minerador, de forma geral,
trabalhava com cinco escravos espalhados ao longo dos córregos e
encostas em área chamada data. A data era uma concessão da Coroa
sendo a sua extensão expressa em área que representava uma
superfície de 30x30 braças, correspondendo cada braça a 1,10 m. Só
eram concedidas a quem tivesse pelo menos doze escravos de trabalho
para as lavras. Novas concessões só eram outorgadas se o mineiro
tivesse provado explorar a primeira e contar com mais escravos. Uma
fração maior de 2,5x2,5 m era permitida a quem tivesse um número
maior de escravos.
Ouro
Branco, distrito de Ouro Preto por longo período, tornou-se município
em 1953. Mantém a tradição de festas religiosas e folclóricas,
sendo também conhecido o “Festival de Batatas” que ocorre na
primeira quinzena de outubro.
Bibliografia
VASCONCELOS,
Diogo de. História Antiga das Minas
Gerais.
Belo
Horizonte: Itatiaia/USP, 1984.
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