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ITABIRA

Casa de Carlos Drummond de Andrade
Área:
1.305 Km2
Temperatura média anual: 20 C
Distância da Capital: 111 Km
Rodovias que servem ao Município: BR 381, Mg 434 e MG 120
População:
Urbana 72.954 hab.
Rural 12.652 hab.
Atividades econômicas: indústria extrativa mineral
PATRIMÔNIO
Ermida
de Nossa Senhora do Rosário
BREVE
HISTÓRIA
Itabira
localiza-se em área circundada pelas serras de Itacolomi, da Mutuca e
da Pedra Furada. Sua data fundadora é controversa. Certo é que no início
dos setecentos suas terras ricas atraíram exploradores a procura de
ouro e pedras preciosas. Documento de 1787 dizia do arraial: “...é
pouco abundante de povo e menos de comércio; tem uma pequena capela,
e pouco ornada, cujo orago é a Senhora do Rosário”. Mas ao final
do século foram descobertas ricas lavras de ouro, cuja exploração
demandava técnicas mais sofisticadas do que a bateia e faíscas. O
povoado prospera e atrai populações vizinhas. O quanto se retirou de
ouro é difícil de se apurar. O certo é que a escassa documentação
referente à mineração do ouro em Itabira, principalmente a partir
da segunda metade do século XIX, faz supor que esta tenha declinado
sensivelmente.
Quantificar
a produção aurífera em Minas Gerais nos anos setecentos é também
matéria controversa. A base das estimativas, dados dos tributos
recolhidos, não é confiável, seja pela desorganização do sistema
arrecadador, seja pelos interesses que afetaram o recolhimento e o
adequado registro das quantias arrecadadas.
No
campo dos números, um dos mais confiáveis é o de Virgílio Noya
Pinto, que constrói sua metodologia de cálculo buscando articular as
diversas fontes disponíveis. Aponta como o auge da extração em
Minas o período compreendido entre 1735 a 1755, quando a produção
atingiu uma média anual de 14.800 quilos.
Em
1985, porém, o pesquisador Michel Morineau, baseado em novas fontes
descobertas, publica um trabalho que trazia nova luz ao tema. Situa
como auge o período localizado entre 1726 a 1750. Os dados de
Morineau revelam uma enorme subestimação da produção brasileira,
principalmente ao se considerar os números de Noya Pinto. E colocando
em dúvida os números de outro pesquisador, Daniel de Carvalho, para
quem a extração de ouro brasileiro no período colonial teria
chegado a 1.354.600 quilos, isto para uma produção mundial estimada
em 1.887.000 quilos no período compreendido entre 1701 a 1800.
No
entanto, qualquer que tenha sido a produção de ouro do Brasil nos
anos setecentos, ela foi absolutamente significativa para o conjunto
da economia mundial. Adam Smith, o notável economista inglês, chegou
a admitir que, nos setecentos, quase todo o ouro fundido na Inglaterra
era de origem brasileira. Isto se deve, principalmente, ao
Tratado de Methuen, que fazia com que desde 1703, a balança de comércio
anglo-portuguesa apresentasse crescentes superávites em favor da
Inglaterra.
A
assertiva de que o ouro de Minas financiou a Revolução Inglesa, não
fica longe da realidade. A acumulação primitiva de capitais permite
criar condições para a introdução de inovações técnicas e da
forma fabril de produção, de tal maneira, que após a década de 1760,
o sistema comercial na Inglaterra cede lugar ao capitalista.
O
século XX trouxe a Itabira melhores perspectivas econômicas. A
divulgação do potencial ferrífero do País no Congresso de
Estocolmo, em 1808, atraiu investidores estrangeiros, sobretudo para a
área do quadrilátero ferrífero, onde até hoje se encontram as
principais reservas de ferro de Minas Gerais e do país.
Por
esta época discutia-se nacionalmente questões em torno do minério
de ferro e a produção de aço destacando-se duas atitudes nas
discussões: muitos brasileiros argumentavam que uma usina siderúrgica
não poderia ser bem sucedida
sem capital,
direção e
carvão estrangeiros; mas outros, inclusive
importantes nacionalistas,
eram de opinião que uma indústria básica como a do aço não
devia em hipótese
alguma ser
controlada por
concessionários estrangeiros, nem depender de carvão
importado. A solução que sobrepujou todas
as que se
apresentaram foi ideada em 1919 por
Percival Farquhar,
empresário norte-americano,
astuto e
grande conhecedor
das questões brasileiras.
O pesquisador John D. Wirth
conta esta história
no livro
"A política
do desenvolvimento
na era
Vargas"
"O
plano de
Farquhar era
grandioso. Após
consultar o
Presidente Epitácio
Pessoa, Farquhar
propôs a
exportação de
minério de
ferro de Itabira e a simultânea
instalação de
uma moderna usina
siderúrgica em
condições de
fabricar produtos
básicos de aço. O
norte-americano desejava minerar cerca de
dez milhões de
toneladas anuais
de hematita de alta
qualidade e
embarcar esse
minério via Santa Cruz (ES),
designada para
se tornar porto
de escoamento
e local para uma
usina de
aço. Trilhos, perfis,
chapas e vigas encabeçavam a lista de
produtos importados que
a nova siderúrgica
de 150.000
toneladas iria
substituir. Na
viagem de
retorno, os
navios cargueiros
de Farquhar trariam
carvão norte-americano
e europeu
de alta
qualidade para a usina."
Tratava-se
do famoso
Contrato Itabira de 1920
que iria polarizar
por quase vinte anos a opinião pública, uma vez que
o fato de discuti-lo implicava realmente discutir todo o futuro
do desenvolvimento brasileiro.
O
Presidente Epitácio
assinou-o, aceitando os
termos de Farquhar:
A Itabira
Iron forneceria tudo, desde
uma moderna
ferrovia industrial
até instalações portuárias,
uma linha
de navegação e a usina siderúrgica, que o Presidente tanto
almejava. Em contrapartida, a organização de Farquhar obteria
direitos de monopólio
sobre a sua ferrovia privada da região mineira do
Rio Doce até o porto também privado de Santa Cruz. A chamada
solução Itabira era
viável porque
preenchia todas
as condições
essenciais: bom
carvão, capital
suficiente (80
milhões de
dólares) e transporte
certo e barato. Farquhar acreditava
que antes de fundar uma usina
dever-se-ia logicamente
organizar serviços
ferroviários e
marítimos em
bases econômicas,
especialmente uma estrada de ferro de primeira classe. A seu ver, o
problema siderúrgico era antes
de tudo
"um problema
ferroviário". Assim,
a mineração merecia ter prioridade sobre a usina de aço. Era a
"solução mestra".
Por
outro lado, de 1910 a 1937 os interesses financeiros internacionais
ligados à indústria
do aço visavam precipuamente aos minérios brasileiros de ferro e manganês para as siderúrgicas da
Europa e dos Estados
Unidos. A construção de novas aciarias em países subdesenvolvidos não
lhes interessava. Ademais, os grandes complexos
industriais parece terem entrado em concluio a fim de
desencorajar a criação de novas usinas em países importadores de aço. O
Brasil, com seu carvão de
má qualidade e suas precárias estradas de
ferro, não podia
naquela época contestar o argumento, que se baseava na tese da divisão
internacional do trabalho.
O
Contrato Itabira enfrentou dificuldades políticas desde o início
e tornou-se
objeto de
controvérsia. Antes de tudo, o
plano teria de ser aprovado
por Minas Gerais onde iria
dar-se a mineração.
Minas era um "Estado Soberano" no sistema federal
regionalista anterior a Vargas. Quando governado por Arthur da Silva
Bernardes, que
mais tarde seria Presidente da República (1923-26), os mineiros sonharam criar um novo Rhur
dentro de suas fronteiras estaduais,
e dessa forma estancar o fluxo
de poder econômico e político para São Paulo, um Estado rival. Farquhar
era precipuamente um
homem ligado à exportação de minério de
ferro, enquanto Minas tinha vinculação política com a siderurgia.
Arthur Bernardes, personificando
o desejo
dos mineiros
de construir um "império siderúrgico", proclamava
com veemência que o
Brasil não devia
repetir a experiência colonial de
duzentos anos atrás, quando
Portugal havia levado para si o
grosso da produção,
no apogeu da mineração aurífera em Minas Gerais. Agora,
estrangeiros como Farquhar
deixariam apenas
"buracos vazios"
atrás de si, a menos que
fossem sustados os seus planos
de exportar minério de ferro.
É
deste embate que iria nascer em Itabira a Cia Vale do Rio Doce, que
ajudaria a cidade a escrever novamente sua história.
BIBLIOGRAFIA
BAETA,
Nilton. A indústria siderúrgica em Minas Gerais.
Belo Horizonte: F.J.P. 1973.
PAULA, Floriano Peixoto de. Vilas de Minas Gerais no período
colonial.
In RBEP (19), junho de 1965, Belo Horizonte.
PELAEZ, Carlos M. História da industrialização
brasileira.
Rio de Janeiro: APEC, 1972.
PINTO, Virgílio Noya. O Ouro Brasileiro e o Comércio
Anglo-Português.
São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1979.
VASCONCELOS, Diogo de. História Média de Minas Gerais.
Belo Horizonte: Itatiaia, 1974.
Horizonte: Itatiaia/USP, 1984.
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