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CAETÉ

Vista da cidade de Caeté, que nos setecentos se chamou Vila Nova da Rainha, do alto da serra da Piedade.
Área:
528 Km2
Temperatura média anual: 21 C
Distância da Capital: 35 Km
Rodovias que servem ao Município: BR 262 e MG 435
População: Urbana 29.115
hab.
Rural 4.136
hab.
Atividades econômicas: agricultura, pecuária e indústria:
artigos esportivos, confecções,
olaria, mecânica e metalúrgica.
PATRIMÔNIO
Igreja
Nossa Senhora do Rosário
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso
Igreja de Nossa Senhora de Nazaré
Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Serra e
Santuário de Nossa Senhora da Piedade
BREVE
HISTÓRIA
Com
a descoberta de ouro no território hoje compreendido pelo Estado de
Minas Gerais, foi enorme a afluência de pessoas que se dirigiram para
aquela região do Brasil, provenientes de Portugal e de vários pontos
da colônia. Do contato entre estes forasteiros que atingiram a zona
mineira e os paulistas descobridores das jazidas, resultaram sérios
atritos conhecidos como a "Guerra dos Emboabas".
O conflito se instala por uma disputa de território e o domínio
de riquezas, sendo um pequeno arraial de nome Vila Nova da Rainha do
Caeté, existente desde 1701, o lugar onde começaram os incidentes
que desencadearam a guerra (1707-1709) e que se espalhou por boa parte
da região. Esse episódio contribuiu para a criação da Capitania
das Minas, desmembrada da Capitania de São Paulo (1720).
Na
pequena vila, como de resto a região mineradora, a forma de exploração
econômica inicialmente introduzida, determinou a forma de organização
social e do trabalho. Assim, componentes como a vigilância, o
fiscalismo tributário e a centralização política marcaram a vida
das vilas. A religião
do mineiro era simples e clara.
Na terra do ouro tudo conspira para a extroversão e simplificação
da experiência religiosa.
Na Capitania domina a crença no milagre, própria de uma
religião profundamente devocional. Não há conventos, apenas
recolhimentos destinados ao ensino das primeiras letras e a preservação
do moralismo feminino.
E apesar de tudo isso, apesar
do predomínio do
mundo das
ocupações em
detrimento da expiação em vida, o homem setecentista
quer louvar a Deus e salvar a própria alma.
Outra
característica marcante da vida na pequena vila, assim como em toda a
sociedade mineratória, foi sua maior
democratização em relação ao que se desenvolvera
em outras partes
da Colônia. A distribuição das "datas"
(lotes auríferos), por exemplo, se beneficiava o rico
minerador (que em geral
possuía grande número
de escravos), não deixava os
mais humildes desprotegidos, mesmo porque estes últimos,
segundo as
autoridades reais,
buscavam com maio ímpeto o ouro e,
portanto, aumentavam as chances de uma melhor arrecadação do
"quinto". A falta de maior tecnologia na exploração do
ouro, pois os instrumentos mais
elementares serão
utilizados, tanto
pelos grandes como
pelos pequenos
proprietários e mineradores,
determinará ainda neste campo maior democratização. Acrescente-se
também a violência do fisco real que se abate sobre todos. Em síntese,
o trabalho na mineração e a forma como se
processa a
distribuição das riquezas
permitiam maior
mobilidade social. Os próprios escravos podiam acumular recursos e
comprar sua liberdade (Carta de Alforria). Quanto aos mulatos, nasciam
livres e podiam escolher as profissões (sapateiros, celeiros,
alfaiates, e artistas). Os negros forros ou cativos podiam se
congregar em associações, bem como
em irmandades e construir suas
próprias igrejas.
A
decadência posterior das minas refletiu
de forma acentuada
em Caeté, que teve a vila suprimida em 1833,
em conseqüência de sua participação numa revolta militar
cujo palco principal foi a cidade de Ouro Preto. Restaurada em 1840, recebeu o nome de Vila de
Caeté. Neste período, com a reativação da mina de Gongo Soco, a
cidade ganha novos moradores, ampliando-se a atividade agrícola. Mas
em 1856 a mina foi desativada. A exploração do carvão e o cultivo
da agricultura foi o que restou de
atividade econômica até o final do século XIX, momento
em que surge a indústria. O empreendedor João Pinheiro,
aproveitando do potencial de caulim da região, fundou em 1894 a
"Cerâmica Nacional", que comercializaria seus produtos no estado,
assim como Rio e São Paulo e marcaria a principal atividade econômica
da cidade por dezenas de anos. Na década de 20 várias pequenas fundições
surgiram desenhando o perfil de uma cidade industrial que Caeté se
transformaria.
Dos
setecentos ficaram a beleza da arquitetura colonial, assim como
o Santuário de Nossa
Senhora da
Piedade, tradicional centro de romaria religiosa,
situado na serra
de mesmo nome. Ao seu lado está o Observatório Astronômico da UFMG.
BIBLIOGRAFIA
MELLO
E SOUZA, Laura de. Desclassificados do Ouro: A Pobreza Mineira no Século
XVIII.
Graal, Rio de Janeiro, 1986.
Memória
Histórica de Minas Gerais. Revista
do Arquivo Público Mineiro.
Belo Horizonte, (2), pp 425-511, jul-set
1897.
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