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União
Social de Cachoeira do Campo
Eu quero fazer um poema
Romântico e Sentimental
Como as bandas de músicas
De meu país natal
Oswaldo de Andrade
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Histórico
Em 1864, surge em Cachoeira do Campo, por forças de divergências políticas dentro da única banda local a "Euterpe Cachoeirense" a Sociedade Musical "União Cachoeirense".O primeiro regente renunciou ao cargo. Por coincidência, os dois candidatos, que se colocaram na disputa, eram adversários políticos, militantes dos dois partidos em vigor no Segundo Império, o Conservador e o Liberal. Como fundador da Euterpe Cachoeirense, Cap. Rodrigo de Figueiredo Murta, era ligado e um dos próceres do Partido Conservador local, sua influência foi exercida no sentido da escolha do correligionário Francisco Carlos de Assis Ferreira, o “Mestre Chico”. Percebida a manobra política, os músicos da ala liberal rebelaram-se desligando-se em seguida da Euterpe para fundar a que foi denominada “União Social”sob a liderança e regência do mestre preterido, João Gonçalves de Magalhães.
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Bandeira
Sua bandeira é caracterizada por um círculo branco sobre campo azul-rei. De cada lado do retângulo, no sentido horizontal, partem dois braços cujas mãos se apertam no centro do circulo. Este aperto de mãos simboliza a união que o nome da entidade sugere.As cores da Sociedade Musical "União Social" são o azul e o branco.
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Personagem de destaque
Em 1891, contando 18 anos de idade Randolfo José de Lemos já era subregente, para dois anos mais tarde assumir a regência plenamente. Naquela época, a banda não contava com uma diretoria administrativa, o que forçava o maestro a ser também diretor.Randolfo José de Lemos foi acometido da cegueira ( causado por glaucoma) aos 56 anos, mas isso não o impediu de continuar em sua dedicação à banda, ensinando, tocando e regendo. Devido à sua presença marcante, em seu tempo a corporação musical chegou a ser conhecida também como a "Banda do Randolfo". Além da banda de música, a Sociedade Musical União Social mantinha um coro-orquestra sacro, composto de vozes, instrumentos de sopro, de cordas e órgão, para os atos internos da Igreja. Mas, por desinteresse da própria Igreja, a orquestra deixou de existir. Do mesmo modo que cuidava da banda, mestre Randolfo cuidava do Coro e Orquestra União Social.
O Sr. Randolfo é o 3º da 1ª fila e o seu instrumento era a clarineta
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Trombones à frente
A Banda "União Social", ao contrário de outras que preferem os trombones à frente, leva as clarinetas.Sua formação é, mais ou menos assim, da frente para a retaguarda, mantendo agrupados os naipes: clarinetas e sax altos, pistons, sax-horns, percussão, teor, bombardinos, trombones e tubas.
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Repertório
Como em qualquer banda, repertório básico é o clássico dobrado de sabor brasileiro e marchas militares.Também faz parte do repertório as marchas festivas ( marchas para procissão), gênero genuinamente brasileiro, marcha fúnebre, valsas típicas para banda, músicas folclóricas, e músicas populares.
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Barbeiros Chimangos
Em uma comunidade que ficou dividida politicamente em torno das bandas, os partidários da "União Social" ganharam o apelido de "Barbeiros", somado ao de "Chimangos" comum aos militantes do Partido Liberal. Do mesmo modo, os partidários da "Euterpe Cachoeirense" receberam um apelido. "Tropa de Linha", ou "Tropa", com o de "Cascudo" por serem do Partido Conservador.Em função da localização de suas sedes, a Banda Euterpe Cachoeirense passou a ser conhecida também como "Banda de Cima", e a Sociedade Musical União Social como "Banda de Baixo".Toda a vida sócio-religiosa em volta de Cachoeira do Campo passou a viver sob influência das duas bandas, pois se a Euterpe tinha seu espaço anteriormente, a União Social conquistou o seu onde havia militantes do Partido Liberal. Hoje a banda não tem cor política.
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Mantendo a tradição
No passado, a comunidade era menor e a população ganhava seu próprio sustento no local, o que permitia à banda, mesmo pequena, realizar mais ensaios e aprimorar seus instrumentistas. Atualmente, tão logo alcança a maioridade o jovem desloca-se da comunidade para procurar trabalho em outro local. Devido a isso a instabilidade nas fileiras é o principal problema depois da carência de recursos financeiros.Atualmente sua composição gira em torno dos 35 elementos, já tendo alcançado o número de 45, mas, no passado mais distante a banda sempre manteve seu quadro em torno dos 20 a 22 integrantes. O município de Ouro Preto já contou com 10 Bandas Musicais que hoje se reduziram para 6 bandas.
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Dicionário Musical
Amaciar Instrumento
Serve para designar o ato de tocar à vontade, enquanto se aguarda o sinal do Mestre para a formação da banda. Na verdade é o momento em que o músico testa o instrumento.
Arrebenta-foguete
Expressão usada para designar dobrados barulhentos, próprios para ocasiões do mesmo gênero.
Bênção Tia
Saudação em coro dirigida a retardatários em reuniões da banda. Teve origem quando um músico, interpelado sobre o motivo de seu atraso para o ensaio saiu com esta: - Fui até a casa de minha tia tomar a sua bênção.
Cabide
Diz-se do "instrumentista" que não consegue cumprir sua função, apesar de ter o instrumento nas mãos. Para impressionar em volume, algumas bandas, infelizmente, reforçam as fileiras com "cabide de instrumentos.
Comer Broa
Esta expressão é usada na "Banda de Baixo" para mostrar que o músico atrasou à entrada de uma peça musical, de um solo, etc. Teve origem quando, certa vez, numa Festa de São Bartolomeu, no distrito do mesmo nome, o tarolista atrasou-se na resposta do tarol à batida inicial do bombo. Quando o regente procurou saber a razão da falha, verificou que o músicos estava comendo um bom pedaço de broa.
Comprando Doce Pro Dedeco
Ao ser dada a "ordem de embarque" para o retorno, ao fim de uma excursão, músicos casados, às vezes, se preocupam em adquirir lembranças ou guloseimas, agrados para os filhos que os aguardam em casa. Surgiu quando um companheiro se atrasou para o embarque e explicou que estava comprando um doce para o Dedeco, seu filho.
Músico de Cabeça de Nota
É o instrumentista que, lendo mal a pauta musical, emite a nota certa, porém com valor diferente do pedido, omitindo ainda outros detalhes imprescindíveis.
Pinta
Diz-se do tipo de cópia de música. Alguns copistas cuidadosos e de boa caligrafia realizam cópias de fácil leitura. O trabalho recebe dos músicos a qualificação de "pinta" boa. Quando a cópia é cheia de borrões e dúvidas, a qualificação é "pinta" ruim.
Polveira
É a clarieta de treze chaves,dotada de poucos recursos e comparada à arma de fogo municiada pela boca.
Primeiras
Este é o termo que designa os instrumentos responsáveis pela parte melódica: pistons, clarineta e requinta. É o termo mais antigo usado na “Banda de Baixo”. Não conhecemos a origem exata. Talvez a explicação esteja na tradicional formação da banda, que sempre apresentou aqueles instrumentos à frente, ao contrário da maioria, que prefere apresentar os trombones.
Sapo
É o indivíduo que não sendo músico ou diretor da banda,acompanha-a por onde vai apresentar-se.
Tenda
É a namorada conquistada pelo músico durante uma excursão da banda.
De Orelha (Tocar de)
Significa tocar simplesmente, por já ter ouvido a melodia. Diz-se também do músico que não conhece a escrita musical.
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Ficha técnica
Sociedade Musical União Social
Entidade Civil de Direito sem fins lucrativos devidamente registrada e reconhecida como "Utilidade Pública"
( Lei 6884 28/09/76 )
Diretoria : 6 pessoas escolhidas entre os próprios músicos.
Sede : própria ( prédio de 2 pavimentos )
Área Construída : 400 metros quadrados
Endereço : Rua Cachoeira do Campo
Mais informações : Livro "Banda de Música A Alma da Comunidade" de Nylton Gomes Batista - Jornalista
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